6º Fórum do Trabalho propõe desafios para enfrentar discriminação no mercado de trabalho

6º Fórum do Trabalho propõe desafios para enfrentar discriminação no mercado de trabalho
24 de setembro de 2015 Assessoria de Imprensa

Evento é mais uma iniciativa do vereador Paulo Malerba (PT), com objetivo de debater questões na perspectiva da classe trabalhadora

 

A Câmara Municipal de Jundiaí sediou no dia 23 de setembro o 6º Fórum do Trabalho, promovido pelo vereador Paulo Malerba (PT), cientista social, doutorando na Unicamp e diretor do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região. O tema apresentado nesta edição foi Trabalho e Diversidade, com a convidada Dra. Angela Carneiro Araújo, professora da Unicamp e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET).

Desde 2013 os Fóruns de Trabalho são realizados para debater questões relevantes na perspectiva da classe trabalhadora, reunindo pesquisadores, estudantes, movimentos sociais, sindicatos e representações políticas. Entre os temas já debatidos tiveram destaque os desafios do mercado, a modernização na CLT, as manifestações de junho de 2013 e as mulheres no mundo do trabalho.

Aspectos fundamentais sobre a diversidade no mercado brasileiro foram expostos pela presidente da ABET, como o crescimento da participação feminina no trabalho remunerado e a divisão sexual do trabalho. “No Brasil, a participação feminina aumentou 85%, entre 1976 e 2007. Mas os homens ainda predominam nos cargos técnicos, de chefia e de gestão em postos qualificados e melhor remunerados. Predominam também na indústria e nos setores de novas tecnologias, além de serem maioria nos postos formais”, citou a Dra. Angela, com base em pesquisas e estatísticas. Segundo levantamento do IPEA, as mulheres dispensam em média 26,6 horas por semana no trabalho doméstico, enquanto os homens pouco mais de 10,5 horas.

Por outro lado, entre as principais mudanças teve destaque o aumento da escolaridade entre as mulheres, além da entrada em nichos de trabalho antes considerados masculinos. Também observa-se o aumento da participação das mulheres mais escolarizadas em cargos de chefia e gerência, embora ainda haja predominância no setor de serviços. “Houve crescimento expressivo do emprego formal, inclusive de mulheres e homens negros”, acrescentou a professora.

Discriminação

A difícil inserção LGBT no trabalho também foi discutida, face ao preconceito e discriminação ainda existentes. Em pesquisa com 230 profissionais LGBTs de 14 Estados, com idades entre 18 e 50 anos, provenientes de diferentes áreas, 40% relataram já ter sofrido discriminação direta de algum chefe, colega ou cliente. Todos disseram ter passado, pelo menos uma vez, por discriminação velada.

Os desafios estão, portanto, conforme expôs a especialista, em como garantir a igualdade de oportunidades para todos, independentemente de sexo, identidade de gênero, orientação sexual, religiosa, idade e local de nascimento. “São comuns ofertas de emprego desconsiderando a linguagem inclusiva, sem especificar que as vagas podem ser para homens e mulheres”, exemplifica Angela.

Paulo Malerba frisou a importância das políticas públicas, ainda tímidas, no sentido de apontar perspectivas e caminhos para superar as desigualdades. “As mudanças só aconteceram quando os problemas foram enfrentados. O processo para que essas desigualdades se resolvam não é natural. Depende de luta e enfrentamento para que se consiga alcançar as transformações necessárias”, afirma o vereador. Durante o bloco de perguntas, o público teve a oportunidade de fazer colocações e questionamentos a respeito do tema.

O Fórum contou também com a participação de Haryanna Sgrilli, diretora-geral do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, da unidade de Jundiaí e com apoio dos Sindicatos dos Bancários, Gráficos e Sindae. A mediação do debate ficou por conta de Marcos Boriero, secretário de Movimentos Populares do PT Jundiaí.

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