Infeliz ano velho

Infeliz ano velho
2 de Janeiro de 2018 PT Jundiaí

E 2017 acabou sem deixar saudades. Ano em que a sordidez humana se fez mais evidente. Na política nacional o governo ilegítimo seguiu seu roteiro golpista. Todas as suas medidas visaram beneficiar privilegiados em detrimento dos vulneráveis.

Empresários aplaudiram a reforma trabalhista que rasgou a CLT. Esta, desde 1943, garantia a dignidade de trabalhadores. Nesse mesmo governo, um ministro tentou mudar o conceito de trabalho escravo, desconsiderando outros elementos que conceituam essa espécie criminosa de trabalho, em absoluta afronta à Constituição Federal.

Falando na Carta Maior, a bancada fundamentalista do Congresso esmerou-se em afrontá-la quando inseriu artigos na PEC 181/15 para impedir o aborto nos casos de estupro, risco de vida da mulher e anencefalia. Essa mesma bancada que tenta impor a “cura gay”, demonstrando que a volta à Idade Média é seu maior objetivo.

Em Jundiaí, o cenário não foi diferente. A Câmara Municipal, constituída por 19 homens, foi o palco dos maiores absurdos já vistos em uma legislatura da cidade. Logo no início, um vereador tentou impedir a criação de um órgão de defesa da população LGBT. Não conseguiu, mas convenceu seus pares e o próprio prefeito de que “a sigla LGBT era parte de um plano mundial para destruir as famílias”!

Em setembro, seguindo a pauta hipócrita do restante do País e obedecendo ordens de grupelhos fascistas (que infestam casas legislativas com sua podridão ideológica), a maioria dos vereadores aprovou duas aberrações legislativas que ferem direitos fundamentais do ser humano e o direito de cátedra.

No mesmo mês, a pedido de um grupo ligado a um vereador, um juiz afronta a democracia, impedindo uma peça teatral na cidade. Em novembro, um vereador evangélico zombou da fé alheia.

Ao ler este texto, alguém poderá pensar: “E o otimismo de início de ano?” Eu prefiro trocar esse “otimismo” pela realidade. E é essa realidade, vista em 2017, que me fará lutar por anos vindouros completamente diferentes.

Eu quero um feliz ano novo de verdade! Sem oportunismo e falso moralismo! Quero respeito ao ser humano! Quero que politiqueiros e grupos fascistas que os cercam sejam desmascarados!

Como? Consciência política! Neste ano de eleições, não percam a chance de jogar esses obscurantistas no lixo da História e em 2020 terminar esse trabalho. Somente assim viveremos, de fato e por direito, anos felizes!

 

 

* ROSE GOUVÊA é advogada, filiada ao Partido dos Trabalhadores, militante LGBT de Jundiaí há 12 anos e presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB de Jundiaí

 

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