Confira os artigos e comentários apresentados na Audiência Pública do Plano Diretor

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27 de janeiro de 2016 Assessoria de Imprensa

Núcleo de Base “Dandara”

Audiência Pública – 25 de janeiro de 2016

Por todo lugar se escuta que vivemos numa das melhores cidades e que Jundiaí é procurada por todos por conta de tudo aquilo que ela tem para oferecer. Não podemos nos enganar. Jundiaí é uma cidade elitista e excludente.

A cidade é o resultado complexo de toda uma série de atividades, no entanto, o direito à cidade é apropriado por poucos e retirado de tantos que trabalharam para fazer dela o que ela é.

Nessas propagandas que vemos por aí, Jundiaí não tem favelas, não tem moradores de rua, segregação social, segregação racial, não tem crise hídrica, déficit habitacional, guetização. Nesses slogans não é dito que o planejamento da cidade tantas vezes serviu ao interesse de um, ao lucro do outro, em favor de tal ou qual família.

A cidade é mais um dos objetos da especulação, da exploração, da segregação e do lucro de poucos em detrimento de muitos.

***

Em qualquer ambiente urbano, o direito fundamental é o direito à moradia, à habitação. O slogan de “Melhor cidade para se viver” serviu principalmente para a inflação da demanda sem um planejamento adequado, o que permitiu ao mercado imobiliário praticar folgadas margens de lucro, vendendo o direito a um simples teto por 300, 400, 500 mil reais; praticando a exploração dos seus aluguéis por um ou dois salários mínimos; jogando a habitação popular e acessível para a periferia ou para as cidades vizinhas.

Em nossa cidade, a habitação não é um direito garantido.

A última demarcação do perímetro urbano, aprovada em 2012 nesta Câmara de Vereadores, nitidamente agradou os especuladores da terra e do imóvel que não se importaram em impermeabilizar grade porção da bacia do rio Jundiaí-Mirim e colocaram em risco o abastecimento de água da nossa cidade.

Nesta mesma Câmara de Vereadores foram aprovadas diversas alterações nas classificações de ruas que desencadearam o retalhamento do zoneamento do município e da lei de ocupação do solo, o que vemos facilmente nas gigantes torres levantadas nos miolos dos bairros, sem qualquer planejamento para o acesso, o transporte, a oferta de serviços e equipamentos públicos. Mais uma vez, engordou o cofre das incorporadoras, das construtoras e dos arquitetos.

Financiamos, com os recursos que arrecadamos, a privatização do espaço público para o carro, o transporte individual, caro, poluente e excludente.

O direito à cidade nos pertence, mas não nos será entregue de bandeja.

Quando flexibilizam parâmetros para a construção de um empreendimento imobiliário, assaltam nosso direito à cidade.

Quando constroem ou cedem equipamentos públicos por acordos com um vereador ou figurão da cidade, assaltam nosso direito à cidade.

Quando marginalizam cidadãos por sua renda ou condição de vulnerabilidade, assaltam nosso direito à cidade.

Quando se restrige o planejamento do município dentro dos mesmos círculos, restritos e viciados, assaltam nosso direito à cidade.

Este Plano Diretor e o processo participativo que o formou é um importante episódio para a mudança dessa lógica. Não recuaremos um passo em nossa marcha para a garantia dos nossos direitos. Cidadãos, trabalhadores, jundiaienses, jovens, mulheres, é hora de agarrarmos nossa história com as duas mãos e sermos nós mesmos os seus protagonistas. Jundiaí será uma cidade democrática e inclusiva quando cada bairro, cada um de nós se empoderar daquilo que sempre foi nosso, mas que nos foi negado.

Companheiros, vamos à luta.

 

Veja os demais comentários na matéria sobre a Audiência Pública em

http://ptjundiai.com.br/audiencia-publica-comprova-processo-historico-e-inovador-do-plano-diretor-participativo/

 

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sumara@tarantina.com.br

 

 

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