Luiz Gushiken ganha homenagem em Jundiaí

Luiz Gushiken ganha homenagem em Jundiaí
16 de junho de 2016 Assessoria de Imprensa

Projeto do vereador Paulo Malerba (PT), aprovado na Câmara, altera nome de avenida para homenagear sindicalista

Quem transita pela Alameda Cesp, entre os bairros Bom Jardim e Fazenda Grande, em Jundiaí, vai se deparar com um novo nome na placa. A alameda passará a se chamar avenida Luiz Gushiken. A alteração do nome se dá com a aprovação do projeto de Lei 12048/16, de autoria do vereador Paulo Malerba (PT). A votação, que ocorreu na última terça-feira (14), teve 13 votos favoráveis e cinco contrários.

A aprovação da lei e homenagem a Gushiken foi acompanhada por companheiros de luta e de trajetória. Falecido em 2013 em decorrência de um câncer, Luiz Gushiken traçou sua história frente aos movimentos sindicais. Bancário, foi um dos responsáveis por dar autonomia ao Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região e ajudar em sua concepção. Combativo militante das causas sociais, foi fundador e dirigente do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Há tempos o vereador Paulo Malerba buscava uma maneira de homenagear o Gushiken como forma de resgatar e perpetuar em Jundiaí sua trajetória de luta sindical e política. “Fico feliz por homenagear um companheiro que demonstrou tamanha coragem, inteligência e lucidez em sua luta por um país mais justo”, disse Malerba.

Relembrando sua trajetória em relação ao movimento sindical, Douglas Yamagata, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região, revela que sempre viu em Gushiken uma figura forte e influente. “Por isso essa homenagem é tão importante. Ele teve papel fundamental na garantia de direitos para os trabalhadores e para os bancários, além de ser um dos mais articulados líderes. Sua história na luta sindical e para uma sociedade mais justa deve ser lembrada”, comentou.

“Seu papel de liderança sempre foi muito forte, com respaldo teórico e com uma sabedoria imensa. Gushiken pode ser considerado o pai do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região”, disse Antônio Cortezani, diretor do Sindicato, que foi companheiro e militante com Gushiken.

Guru

Para os amigos, a singela homenagem é mais que merecida. “Não há como pagar tudo o que ele fez”, relembra o amigo pessoal e também diretor da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo, Roberto Rodrigues. “Ele estava à frente de seu tempo. Na década de 1980 ele já falava em ONGs e fundos de pensão, coisa que só foi cair no entendimento geral cerca de 20 anos depois. Me lembro dele como um ‘guru’, que sempre tinha uma palavra de incentivo e uma ideia na cabeça. Essa singela homenagem não paga pela luta pela liberdade que ele travou e que tantos outros travam hoje em dia. Ele foi um guerreiro”, declarou emocionado.

 

Conheça um pouco da história de Luiz Guishiken

Filho de imigrantes japoneses de Okinawa, Luiz Gushiken nasceu na cidade de Osvaldo Cruz, em São Paulo. Ainda jovem, mudou-se para a capital paulista e começou a trabalhar como escriturário no Banco do Estado de São Paulo (Banespa), onde permaneceu de 1970 até 1999.

Formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luiz Gushiken foi militante da tendência Liberdade e Luta (conhecida como “Libelu”), braço estudantil da trotskista Organização Socialista Internacionalista (OSI). Com posicionamentos à frente de seu tempo, sua inteligência e capacidade de articulação inspiraram incontável número de militantes, tornando-se um dos grandes líderes políticos e sindicais dos anos 1970 e 1980.

Teve intensa participação política na resistência à ditadura militar, inserindo a luta por liberdades democráticas na pauta das entidades sindicais e mobilizando-as no movimento das “Diretas Já”.

Presidiu o Sindicato dos Bancários de São Paulo de 1984 a 1986, e apoiou a criação de uma entidade de classe de bancários em nossa cidade, a então “Associação Profissional dos Bancários de Jundiaí e Região”, cuja primeira diretoria, eleita em 25 de abril de 1986, era composta por Regina (América do Sul), Bete (Nossa Caixa), Neize (Bradesco), Vera (Meridional), Cida (Bandeirantes), Márcia (Econômico), Eliana (BB), Celso (Mercantil de São Paulo), Duran (Bradesco), Cortezani (Banespa), Tacão (Banespa), Nilton (Banespa) e Mauro (Noroeste), e tinha Roberto Rodrigues (Meridional) como presidente.

Luiz Gushiken organizou greves históricas que trouxeram novos padrões de respeitabilidade e de direitos para a categoria bancária. Foi um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT), que presidiu nacionalmente entre 1988 e 1990.

Deputado federal por três legislaturas, sendo a primera durante a Assembleia Constituinte de 1987, foi, ainda, ministro da Secretaria de Comunicação do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após ser injustamente acusado pela mídia, que publicou informações mentirosas a seu respeito, Luiz Gushiken foi inocentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 13 de setembro de 2013, aos 63 anos, faleceu em consequência de um câncer, contra o qual lutava desde 2002. Era casado com Elisabeth Gushiken, e pai de Guilherme, Artur e Helena.

Sua experiência política foi fortemente marcada pela defesa dos direitos de trabalhadoras e trabalhadores, pela perseverança na combatividade sindical e pela defesa da democracia e da justiça social. Personalidade ímpar para o Estado brasileiro e para nossa sociedade, a trajetória de Luiz Gushiken continua motivando novas gerações.

Fonte de dados: Blog do vereador Paulo Malerba: paulomalerba.com.br

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