Miguel Haddad no País das Maravilhas

Miguel Haddad no País das Maravilhas
1 de fevereiro de 2016 Assessoria de Imprensa

 

por Lucas Forlevisi

Secretário de Juventude do PT Jundiaí

 

Pareceria uma estória de Lewis Carrol se não fosse a perspicácia oportunista de um ex-prefeito, que ainda guarda no peito, a mágoa de ver ‘seu projeto de cidade’ sendo superado.

No último domingo (31/01/2016) o ex-prefeito de Jundiaí, Miguel Haddad, mostrou que a disciplina de História nunca foi seu forte. Em um artigo de jornal local, começa traçando um cenário de caos para o Brasil e coloca a cidade de Jundiaí (no período do governo tucano), como uma espécie de “país das maravilhas”, dentro do terrível e assombroso momento e que assola a nação.

Miguel atribui como motivo da crise econômica aquilo que chama de “irresponsabilidade fiscal e pedaladas do PT”. Ora, em um momento onde o capitalismo e a economia mundial passam por grande recessão, o ex-prefeito do interior paulista, tem a ousadia de acusar o governo federal por problemas que fundamentalmente refletem um desequilíbrio de escala global. – Ok?

As tais “pedaladas” tão criticadas e raiz de todos os males brasileiros, segundo Miguel, foram realizadas para a manutenção de programas populistas do governo (leia-se aqui Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, PROUNI, FIES e etc) que teriam representado um desequilíbrio nas contas públicas.

A história parece mesmo não ser uma das apreciações do Miguel. Os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), seu correlegionário partidário e inspiração política de boa parte do tucanato local, não só abusaram das tais pedaladas, com as utilizaram para salvar o lucro dos banqueiros desse Brasil afora. O PROER – Programa de Estímulo de Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional, realizado por FHC para ‘modernizar’ o sistema bancário nacional, simplesmente teve sua maior parte dos R$ 30 bilhões de investimento direcionados para os bolsos dos banqueiros prestes a falir. Somente, o então Banco Nacional, que seria posteriormente vendido ao Unibanco, mordeu R$ 6 bilhões. Além disso, em 1999, o governo do PSDB vetou 14 dispositivos de Lei de Diretrizes Orçamentárias que pediam prestações de contas sobre esse tal programa. O então blindado Fernando Henrique Cardoso, lambuzou-se de um mistério de gastos públicos e de muitas dúvidas que perduram ainda em nossos dias.

Agora em cálido tom questiono: redirecionar dinheiro para banqueiro pode, mas para programas sociais, não? Exemplos de irresponsabilidades nos governos do PSDB, certamente não nos faltariam.

Em outro trecho do seu texto, Miguel se vangloria pelo aumento da renda dos jundiaienses. De novo, o ex-prefeito do “país das maravilhas”, não consegue enxergar (ou finge não conseguir) que se a renda dos jundiaenses subiu, a dos brasileiros deu um verdadeiro salto. Apenas um dado: segundo o IPEA, entre 2001 e 2011, os 10% mais pobres do país tiveram um crescimento de renda de 91,2%.

A ideia de que uma cidade, um estado ou uma nação não se reduzem por si; a ideia de que as conjunturas de crescimentos locais não são necessariamente reflexos de si mesmas e de que se Jundiaí cresceu, foi porque o Brasil cresceu; parece não abrigar vocabulários e mentes tucanas. Agora, as coisas ruins, essas, sim, são todas reflexos. -Oportuno?

 

Por fim, fico com o trecho de um artigo de Duvivier, publicado recentemente na Folha de São Paulo: “No governo FHC, a pedalada era uma tradição de fim de ano tão comum quanto a Simone cantando ‘Então É Natal’ (…)”.

Tempos difíceis

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