Ong Aliados emociona com debate sobre luta LGBT

Ong Aliados emociona com debate sobre luta LGBT
10 de junho de 2016 Assessoria de Imprensa

Palestrantes traçaram linha do tempo sobre resistência da comunidade LGBT e ressaltaram importância da esquerda e do PT na luta pela conquista e garantia de direitos

ONG Aliados, em parceria com o Coletivo CUME, o mandato do Vereador Paulo Malerba (PT)  e a Frente Brasil Popular de Jundiaí & Região, realizou na noite do dia 9 um evento que reuniu grandes nomes em defesa da valorização dos Direitos Humanos da população LGBT. A historiadora e ativista lésbica Marisa Fernandes e o cientista social Julian Rodrigues foram convidados para traçar uma linha do tempo sobre a repressão e a luta de resistência vivida pela população LGBT no Brasil.

Julian, que é consultor de políticas públicas da Secretaria de Relações Governamentais da Prefeitura de São Paulo, lembrou da primeira grande luta de resistência, ocorrida em Stonewall, em 1969, nos Estados Unidos, com manifestações espontâneas de membros da comunidade LGBT contra a invasão da polícia e o sistema jurídico que atuava contra os homossexuais, e que também ocorria no Brasil. Fazendo um paralelo com o atual cenário político do Brasil, que se depara com um golpe da direita, o professor ressalta “que o golpe de ontem e hoje é feito em defesa da TPF, Tradição, Propriedade e Família”, defendida por famílias tradicionais, brancas, reacionárias e homofóbicas.

Segundo ele, o Partido dos Trabalhadores teve um papel de suma importância na defesa dos direitos LGBT. “Não podemos ignorar a trajetória do PT nessa luta e a posição do presidente Lula afirmando que nenhuma minoria seria discriminada em seu governo, incluindo negros, mulheres e a comunidade LGBT”, disse, relembrando a Conferência LGBT ocorrida em 2008, em Brasília, coordenado pela Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) do governo Lula, constituindo um marco na discussão de problemáticas da comunidade LGBT e abrindo caminho para garantia da cidadania de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

O professor ressaltou ainda que as manifestações de 2013 não se iniciaram com o passe-livre, mas com a nomeação do deputado Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos, quando milhares de pessoas saíram às ruas em protesto à nomeação do deputado que se sempre se declarou contra as minorias com discursos racistas e homofóbicos.

A historiadora Marisa Fernandes destacou a preocupação com o atual cenário político e o risco sobre a garantia e manutenção de direitos. “Sabíamos que temos um Congresso conservador, mas depois de vermos cada um deles durante a votação do impeachment ficamos horrorizados porque tivemos a certeza de que aqueles posicionamentos em defesa da família e da tradição indicam um grave risco de perda de direitos. E é fato que este governo não está comprometido com a pauta LGBT”.

Passado e futuro

De acordo com Rose Gouvêa, membro da Ong Aliados, o evento superou as expectativas e conseguiu trazer à luz do atual cenário a importância de um debate sobre esse tema. “É crucial revisitarmos sempre a história, valorizando e dando voz aos personagens que fizeram parte dessa luta pela valorização dos direitos humanos. É sempre necessário olhar o passado para mudar o presente e melhorar o futuro”, disse a advogada Rose Gouvêa. Segundo ela, o encontro serviu para que as pessoas pudessem conhecer com mais detalhes as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros dessa resistência. “Constatamos como essas figuras foram guerreiras e não se intimidaram com o contexto político, social e repressivo de nossa história. Foram à luta para que as gerações seguintes pudessem desfrutar de mais espaço e liberdade. E tenho certeza que as pessoas presentes saíram ainda mais preparadas e estimuladas para enfrentarem o atual momento político difícil, que exigirá de nós a mesma força e resistência dos militantes de outrora. Eles conseguiram e nós também conseguiremos”, avalia.

Também estiveram presentes ao evento  o presidente do PT, Arthur Augusto, a vereadora Marilena Negro (PT), a vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos Rose Prado, Dani Tega, assessora do vereador Paulo Malerba e membros da Frente Brasil Popular de Jundiaí e Região.

Performance

A artista Lima Bo fez uma intervenção artística representando um carrasco e usou fotos (todas de LGBT) representando vítimas  num porão de  tortura, sendo humilhadas, sofrendo agressão física e assassinadas pelo algoz.

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Rose Gouvea, da Ong Aliados, abre a palestra
g7
Marisa, Camila Godoi e Julian durante o debate
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Os palestrantes destacaram a importância da imprensa alternativa na luta de resistência do movimento LGBT

O Lampião da Esquina foi um jornal homossexual brasileiro que circulou durante os anos de 1978 e 1981. Nasceu dentro do contexto de imprensa alternativa na época da abertura política de 1970, durante o abrandamento de anos de censura promovida pela ditadura militar brasileira.

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